segunda-feira, 10 de setembro de 2012
WE ARE THE WORLD
Eu estava deitado no sofá quando meu pai voltou do supermercado. Entre várias sacolas das Sendas, trazia também um LP: era o "We are the world", disco de um projeto beneficente, este criado por Bob Geldoff. A canção-título foi comporta por Michael Jackson e Lionel Ritchie e estava "bombando" em todas as rádios, uma verdadeira "febre".
Lembro-me como se fosse hoje do clip dessa música, cantada pelas maiores estrelas do pop americano como Stevie Wonder, Cindy Lauper, Ray Charles, Bob Dylan, entre outros, além do próprio Michael e de Lionel Ricthie. Aliás, Michael Jackson teve dois momentos magistrais nessa canção e na primeira vez em que canta, a câmera vai subindo dos seus pés até a cabeça, mostrando toda a hegemonia do Rei do pop naqueles anos. Inesquecível!
sábado, 8 de setembro de 2012
A SELEÇÃO DE 82
"Dá-lhe, Dá-lhe bola
Meu canarinho vai deixar a gaiola
Vai pra Espanha de mala e viola
Vai dar olá à Espanhola e rola, e rola
E rola essa bola..." (Luiz Airão)
Eu comecei a tomar gosto e entender algo sobre futebol em 1978, quando o Brasil foi "garfado" pelos argentinos. Mas foi em 82 que eu me encantei de verdade. Ali estava uma geração de jogadores que formavam um time mágico, o chamado futebol-arte.
A empolgação arrastava a população brasileira. Cada jogo era um enxurrada de golaços e isso se refletia nas ruas enfeitadas, nas crianças colecionando figurinhas que vinham dentro dos chicletes Ping-Pong e nos blocos carnavalescos "fora de hora" que se formavam a cada vitória da seleção. A minha rua, particularmente, estava linda, toda pintada e desenhada com personagens como o Naranjito, Pacheco, Zé carioca (esse ficava em frente à minha casa!). Para mim, aquilo tudo era realmente mágico, ilusório e até certo ponto, misterioso...
Por ser na Espanha, essa copa tinha um quê a mais de arte. Talvez porque lembrava os quadros de Picasso ou a dança flamenca. E todos os times possuíam craques. Ah, querem saber alguns deles? Vamos lá:
BRASIL_ Zico, Falcão, Sócrates, Éder;
Argentina_ Maradona, Kempes, Passarela, Ardiles;
Alemanha_ Rumenigge, Breitner, Littbarski, Schuster, Voeller; Schumacher
Itália _ Conti, Scirea, Altobelli, Dino Zoff; Paolo Rossi;
França _ Giresse, Platini, Six;
Polônia_ Lato, Boniek;
Rússia_ Demianenko, Dasayev;
Camarões_ N'Kono;
Michel Platini
Eu assisti aos quatro primeiro jogos em casa. Quatro "chocolates do Brasil". Não havia adversário à altura: passamos por Rússia, Escócia, Nova Zelândia e Argentina. Vinha a Itália...
Zico disputa uma jogada com Maradona
De repente, gritos de gol! O Brasil empata com Sócrates, numa belíssima jogada de Zico. Voltei a brincar.
Por curiosidade, fui ver novamente o placar: Itália 2 a 1. Ai, ai... o que estava acontecendo com o dream time? Onde estava todo o repertório de jogadas pintadas a óleo? Bem, voltei a brincar. De repente, mais gritos de gol! Seria gol de Zico? não, de Falcão: 2x2.
Naquele dia, eu não ouviria mais gritos de gol. A Itália fez o terceiro gol e eliminou o Brasil. A última imagem que tenho em minha mente sobre aquela copa é a de quando, voltando da casa dos meus amigos, cheguei à minha rua e ela , outrora linda e toda enfeitada, agora estava com bandeirinhas e enfeites destruídos, pinturas desfeitas, sem blocos carnavalescos, sem brilho, enfim uma rua comum, morta. Eu nunca mais voltaria a brincar como naqueles dias...
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